Carrapato é arma contra câncer

Uma proteína da saliva do carrapato-estrela, parasita comum nas áreas rurais do Brasil, conseguiu reduzir tumores de pâncreas em células humanas cultivadas em laboratório. O experimento, comandado por pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, foi bem-sucedido também contra tumores malignos da pele. Para os cânceres de rins e de mama, a substância já teve êxito em testes feitos com camundongos.

O desenvolvimento do medicamento tem que passar ainda por mais testes em animais até ganhar licença para ser experimentado em humanos, na fase chamada de teste clínico. Mesmo assim, entre os pesquisadores envolvidos, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do instituto, foi criada grande expectativa para a descoberta de um tratamento do câncer de pâncreas com remédios, algo só possível até agora por meio de cirurgia. Tumores no órgão são os mais letais em humanos, matam em praticamente 100% dos casos em que o bisturi não tem como ser usado. "A saliva do carrapato possui propriedades tóxicas para células tumorais, sem oferecer risco para as células saudáveis", declarou a coordenadora do estudo, Ana Marisa ChudzinskiTavassi, em comunicado divulgado pelo instituto. "Resolvemos testar a proteína tanto em cultura de células normais quanto em cultura de células tumorais. E a surpresa foi muito grande, porque a proteína, visualmente, não fez nada nas normais mas matou as tumorais".

Segundo a pesquisadora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou novos testes em animais, seguindo padrões internacionais que serão feitos em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Se tudo der certo, explica Ana Marisa, a Anvisa terá o resultado dos testes em até oito meses para analisar se a pesquisa poderá avançar à etapa de experimentos em humanos.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pâncreas representa 2% de todos os tipos, sendo responsável por mais de nove mil novos casos anualmente. Dos pacientes que desenvolvem a doença, 75% morrem ainda no primeiro ano de tratamento. Cinco anos após a detecção do tumor, a taxa de mortalidade sobe para 94%.

 

Fonte: O Globo