Expansão desacelera e cai para um dígito

As indústrias farmacêuticas poderão registrar crescimento de "apenas" um dígito em 2013, o que é considerado um resultado "magro" para um setor que está acostumado a crescer acima de dois dígitos nos últimos três anos em volume. Em receita, a situação é bem mais confortável - nos últimos dez anos o desempenho dos laboratórios instalados no país supera os dois dígitos facilmente.

O setor como um todo é estimulado pelas vendas dos medicamentos genéricos, que cresce, em média, o dobro do mercado total. No primeiro trimestre, sobretudo, o setor registrou desaceleração, por conta das incertezas da economia, o que já levantou especulações de que a indústria poderá crescer abaixo de dois dígitos este ano. No primeiro semestre, as vendas de medicamentos totais atingiram 1,382 milhão de unidades, alta de 11% sobre o mesmo período do ano passado. Em receita, as vendas alcançaram R$ 27,3 bilhões, também aumento de 11% em relação a janeiro a junho deste ano, de acordo com dados da IMS Health.

Com peso cada vez mais importante para os resultados totais do setor, sem os medicamentos genéricos a indústria farmacêutica não teria apresentado performance acima de dois dígitos. Excluindo os genéricos, o crescimento do setor foi de 9% em volume. Já a receita, em dólares, o crescimento da indústria farmacêutica fica em 4,3% para o mesmo período.

As incertezas da economia brasileira nos primeiros seis meses do ano são as principais causas para diminuição do ritmo de crescimento do setor, apontam as indústrias do setor. A Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos) espera um desempenho mais forte no segundo semestre, fechando o ano com 20% de crescimento. Considerando o mercado total, pode crescer menos que a metade.

De acordo com a Pró-Genéricos, o crescimento do segmento dos genéricos não é benéfico para as indústrias, traz impacto positivo para a sociedade, uma vez que aumenta o acesso da população aos medicamentos. Além disso, como a maioria da empresas do setor hoje atua em genéricos, um bom desempenho nas vendas desse segmento é importante para o mercado como um todo. Desde que surgiram no mercado, em 2001, os genéricos geraram economia de 38 bilhões aos consumidores brasileiros, de acordo com a Pró-Genéricos. Com preços, em média, 60% mais baratos que os de referência (com patente), os genéricos também funcionam como reguladores de preços e demanda.

 

Fonte: Valor Econômico