Mortalidade por aids no país cai 12% em 10 anos

Para chegar aos resultados, a pesquisa analisou o "peso" da doença nos países, levando em consideração um indicador chamado Dalys, que avalia não apenas os casos de morte, mas também os anos de vida perdidos por incapacidade prematura.

Considerando apenas a América Latina, o estudo aponta que o HIV ainda está entre os dez principais motivos da perda de anos de vida em 4 dos 17 países- Colômbia, Honduras, Panamá e Venezuela, enquanto no Brasil ele aparece entre uma das 25 mais importantes causas.

Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do ministério, diz que a queda de mortalidade é uma tendência que vem sendo observada nos últimos anos, já que desde 1997 o Brasil oferece o tratamento com antirretrovirais. "Em 2000, a mortalidade era 6,3 por 100 mil habitantes e, em 2011, caiu para 5,6." O segurança Abelardo Pereira da Silva, de 63 anos, convive há 32 com o HIV. Foi diagnosticado em 1988, quando nem existia a medicação antiHIV. "Naquela época, as pessoas descobriam o HIV de dia e morriam à noite. Perguntei para o médico: posso comprar meu caixão?" Américo Nunes Neto, de 51 anos, coordenador do Instituto Vida Nova, também descobriu o HIV em 1988. "Foi como uma sentença de morte. A médica disse que eu tinha seis meses de vida", diz ele, que superou as previsões, desenvolveu um câncer e mais uma vez contrariou os prognósticos. "Estou bem, só monitorando a doença."

O infectologista Ésper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP, diz que a mortalidade por aids no Brasil praticamente estabilizou após o fornecimento da medicação, mas diz que ainda há muita desigualdade entre os Estados. "No Brasil, boa parte dessa queda pode ser atribuída a São Paulo." Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a pesquisa mostra que o Brasil ainda precisa melhorar seu acesso global à saúde. "O País já venceu a etapa de fornecer a medicação para os doentes, agora temos de dar um passo à frente e enfrentar as outras dificuldades e melhorar a qualidade de vida", diz.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo