No Brasil, 12% ainda mantém hábito de fumar

Entre 1989 e 2010, um em cada três brasileiros deixou de fumar devido às medidas restritivas à propaganda de cigarros. “Para mim, deixar o cigarro foi uma libertação”. É o relato do músico de 32 anos Odair Souza que, por 11 anos foi fumante e, depois demais de cinco tentativas, deixou o cigarro há dois anos.

Dados do Ministério da Saúde mostram que 12% dos brasileiros são fumantes. Para tentar conscientizar outras pessoas a seguir o exemplo de Odair, são feitas ações educativas no dia 29 de agosto em praticamente todo o país, uma rotina desde 1986, quando foi sancionada a lei que instituiu o Dia Nacional de Combate ao Fumo nessa data.

Segundo pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), entre 1989 e 2010 um em cada três brasileiros deixou de fumar devido à entrada em vigor das medidas que restringiram a propaganda de cigarros na televisão e em veículos de comunicação de massa.

O pneumologista da Divisão de Controle do Tabagismo, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Ricardo Meirelles, alerta que o tabagismo é uma doença que pode ocasionar outras 50. Vários tipos de câncer, doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), além de menopausa, infertilidade e envelhecimento precoces são alguns dos problemas de saúde que podem ser ocasionados pelo fumo.

Meirelles explica que, logo após deixar o cigarro, o ex-fumante já sente melhora na qualidade de vida. “Em dois, três dias ele sente uma melhora no fôlego. Se não tiver uma doença respiratória, já dá pra subir uma escada melhor, fazer exercícios”, disse o especialista.

Foi o que aconteceu com Odair. O músico lembra que decidiu parar de fumar quando começou a sentir dificuldade para cantar e dor na garganta“ Depois que parei, vi diferença em vários aspectos, na hora de cantar,na respiração, tanto para cantar como para fazer exercício físicos, na alimentação, o gosto dos alimentos é muito melhor agora”, disse.

De acordo como Ministério da Saúde, 24.515 equipes de 4.371 municípios brasileiros estão inscritas no Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica(PMAQ), que inclui o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT).

A meta do governo é reduzir de 12% para 9% a proporção de fumantes na população adulta até 2022. O tratamento contra o vício em tabaco do serviço público inclui apoio psicológico,medicamentos (adesivos, pastilhas, gomas de mascar e o antidepressivo bupropiona), atendimentos educativos e terapêuticos.

Segundo Meirelles, deixar de fumar é difícil,mas o acompanhamento de profissionais alivia o processo. O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável. Além disso, cerca de 1,2 bilhão de pessoas são fumantes.

“Cerca de 80% dos fumantes desejam parar, mas apenas 3% conseguem abandonar o vício. É considerado ex-fumante a pessoa que fica um ano sem fumar”, explica o cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, João Ferreira Marques.

O médico esclarece que quem abandona o vício antes dos 30 anos consegue restabelecer o organismo a ponto de parecer que nunca fumou.

 

Fonte: Brasil Econômico