Mortes por dengue subiram 36% em relação a 2012

O Estado do Rio registrou um aumento de 36% no número de mortes causadas pela dengue no ano passado, quando comparado com 2012. Foram 60 óbitos contra 44 no ano anterior. No mesmo período, houve também um crescimento do número de casos da doença: de 184 mil para 217 mil em 2013, uma variação de 18%. Apesar do crescimento, a Secretaria estadual de Saúde afirmou ontem que não trabalha com a hipótese de uma epidemia este ano.

Segundo o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da secretaria, Alexandre Chieppe, o aumento do número de casos já era esperado em 2013, porque o vírus tipo 4 se disseminou no interior do estado ao longo do ano. Como boa parte da população estava suscetível ao novo vírus, a doença se espalhou e atingiu 80 cidades. A análise dos dados de 2012 em relação a 2011 mostra que também houve aumento do número de casos (9%). Apesar disso, houve queda do número de mortes em 2012 em relação a 2011: -68%.

Na avaliação de Chieppe, o aumento de casos em 2012 também está relacionado ao vírus 4, que chegou inicialmente à capital e depois se disseminou pela Região Metropolitana, onde vive cerca de 40% da população.

- Não trabalhamos com a possibilidade de haver um epidemia este ano. O numero de casos no Rio está abaixo do limite máximo. Para esta época do ano, o limite máximo é de 800 casos por semana. Estamos com menos de 200. O limite máximo da série histórica para anos sem epidemia é de 280 casos por semana. Além disso, o Levantamento Rápido do Índice de Infestação (que mostra a presença do mosquito da dengue nos domicílios) feito em outubro variou de 1% a 3%, ainda abaixo do índice de 4%, quando há risco de surto – disse Chieppe, acrescentando que o pior ano da dengue foi 2008, quando houve 250 mil casos, com 250 mortes.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, a explicação do governo para o aumento dos casos e das mortes por dengue é frágil. Segundo ele, um novo vírus sempre pode contaminar moradores que nunca tiveram a doença. No entanto, o crescimento dos casos e das mortes demonstra que as políticas de prevenção e de tratamento não estão funcionando:

- O governo tenta colocar nas costas do mosquito toda a responsabilidade pelo aumento dos casos e das mortes. Você sempre tem um contingente da população suscetível, que poderá contrair a doença, mas a situação não se explica pelo vírus 4. O quadro dramático está mais relacionado com a precariedade do sistema (de saúde). Se as políticas preventivas estivessem funcionando, não haveria aumento do número de casos. Se houvesse tratamento adequado dos pacientes, não haveria aumento das mortes.

Embora descarte risco de epidemia este ano, a secretaria vai intensificar as campanhas de prevenção em todo o estado. O forte calor e a possibilidade de chuva nas próximas semanas aumentam as chances de formação de focos do Aedes aegypti , mosquito transmissor da doença. A secretaria está distribuindo smartphones às prefeituras. Com o equipamento, os municípios poderão transmitir informações em tempo real sobre a situação de cada domicílio visitado. Os dados ajudarão nas ações específicas de combate ao mosquito em cada bairro das cidades. Além dessa medida, a secretária mantém outras estratégias, como a campanha dos “10 minutos contra a dengue”, que ensina formas simples de evitar a formação de focos do mosquito.

- O período de maior incidência da doença vai de março a maio. Então, o impacto que teremos lá na frente é resultado da nossa atuação em dezembro e janeiro. Por isso é importante mantermos as campanhas e intensificá-las. São essas campanhas que ajudam a criar uma cultura na população de ações para prevenir a dengue – afirma Chieppe.

 

Fonte: O Globo