Secretário de São Bernardo do Campo substituirá Padilha

Depois de definir a transição na Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff escolheu ontem (21/1) o novo ministro da Saúde. Trata-se do secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP), Arthur Chioro, o que mantém a pasta - com orçamento de R$ 106 bilhões previstos para este ano - sob o comando do PT. A previsão é de que ele assuma as novas funções no início de fevereiro, quando o titular da pasta, Alexandre Padilha, deixa o cargo para intensificar a pré-campanha ao governo de São Paulo.


Chioro aceitou o convite em reunião com Dilma que durou pouco mais de uma hora ontem à tarde no Palácio da Alvorada, e não constou da agenda oficial. A confirmação oficial pelo Palácio do Planalto, entretanto, será somente no fim do mês, quando a presidente regressar da agenda no exterior e anunciar o teor completo da reforma ministerial.


Ele vai integrar a comitiva da presidente que embarca para a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac) em Cuba, no fim do mês. Dilma, Padilha e o novo ministro vão se reunir com o presidente de Cuba, Raúl Castro, para agradecer o apoio daquele país ao programa Mais Médicos, vitrine do governo Dilma na área de saúde e considerado trunfo eleitoral.

Cuba enviou mais de 3 mil médicos para atuar no programa federal. O principal desafio do novo ministro será atingir a meta de 13 mil médicos em atuação até abril, dando cobertura estimada a 45 milhões de brasileiros. Atualmente, há 6,6 mil médicos trabalhando nas regiões mais remotas do país e nas periferias das grandes cidades.


Antes da conversa definitiva com Dilma, Chioro almoçou com Padilha, de quem recebeu diretrizes gerais sobre o comando da pasta. Além de consolidar e ampliar o Mais Médicos, Chioro tem, pelo menos, mais duas prioridades no cargo: ampliar o relacionamento institucional com as Santas Casas de Saúde, e negociar as dívidas dessas instituições filantrópicas com o governo; aumentar os investimentos na indústria nacional farmacêutica e fomentar a pesquisa científica e tecnológica no desenvolvimento de medicamentos. As Santas Casas mantêm um vínculo com a oposição, e Dilma considera que Padilha avançou na aproximação com o setor.

O nome de Chioro passou a ser considerado para o lugar de Padilha, com mais atenção, a partir de dezembro. Dilma impressionou-se com o seu trabalho quando visitou São Bernardo do Campo, para inaugurar - ao lado de Lula e do prefeito Luiz Marinho (PT) - o Hospital de Clínicas Municipal José Alencar. Um prédio com capacidade para realizar, anualmente, 18 mil internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de contar com 293 leitos, sendo 96 de UTI. A unidade vai atender a população de toda a região do ABC paulista.

A opção por Chioro é considerada uma "zebra" na reforma ministerial, diante da disputa acirrada que se travava, nos bastidores, entre dois auxiliares do ministro Alexandre Padilha: os secretários de Gestão, Mozart Sales, e de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães.

 

Fonte: com informações do jornal Valor Econômico