Depressão é uma das principais causas de afastamento

A depressão e outros transtornos ansiosos figuram entre as quatro causas mais frequentes de afastamento do trabalho, segundo dados de 2013 do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Só a depressão foi responsável por 61.044 afastamentos.

As estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde) não são animadoras. Na próxima década, a doença será a mais comum no mundo, ultrapassando moléstias cardiovasculares e câncer.

O Brasil tem poucas políticas públicas para prevenir e tratar esse e outros transtornos mentais. O gargalo vai da falta de rede primária de prevenção à escassez de psicólogos e psiquiatras no sistema público e ao deficit de leitos psiquiátricos de emergência para pacientes em surto. Segundo recomendações da literatura internacional, seriam necessários 70 mil leitos psiquiátricos para a atual demanda de doentes mentais graves no país. Hoje há 27 mil.


Muitas das crises de quadros maníacos agudos, como esquizofrenia, poderiam ser controladas sem internação caso fossem tratadas corretamente em 48 ou 72 horas. É o que afirma o psiquiatra Rodrigo Affonseca Bressan, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e que participou do Fórum a Saúde do Brasil, da Folha. A atual política mental se ancora nos Caps (Centros de Atenção Psicossocial), mas eles ainda são em pequeno número e enfrentam problemas de várias ordens. "Os casos de transtornos mentais cresceram numa proporção muito maior do que o de equipamentos ou de profissionais. Há longas filas de espera para atendimento", diz o psiquiatra Duílio de Camargo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.


Bressan também ressalta a importância de não restringir a especialistas o tratamento de pacientes com depressão, por exemplo. "Saúde mental é também responsabilidade do médico de família e do enfermeiro", disse. Para o psicólogo Sérgio Braghini, conselheiro do CFP (Conselho Federal de Psicologia), há também um gargalo na assistência psicológica, seja no SUS, seja na saúde privada. "O modelo de saúde mental privilegia a medicalização".

 

Fonte: Folha de S. Paulo