Bionovis vai receber tecnologia da alemã Merck

A Bionovis fechou um acordo com a alemã Merck para o desenvolvimento, a fabricação local e comercialização de um portfólio de medicamentos biológicos no Brasil. Segundo informaram as companhias ao Valor Pro, o serviço de tempo real do Valor, a parceria terá foco nos tratamentos para câncer, artrite reumatóide e esclerose múltipla.


Como parte do acordo, a Merck será a fornecedora exclusiva de tecnologia à Bionovis (e seus parceiros) de oito produtos biológicos - feitos a partir de células vivas - concordando em transferir seus conhecimentos de produção ao longo dos próximos anos, com o objetivo de que sejam todos fabricados localmente no Brasil.

"Nossa experiência nos dá uma clara vantagem no campo dos biossimilares e, com esta parceria, estamos ansiosos para trabalhar em estreita colaboração com o governo brasileiro", disse, em comunicado, Stefan Oschmann, presidente global da divisão farmacêutica da Merck.

O acordo marca também o início da unidade de negócios de biossimilares da multinacional na América Latina, com o Brasil como o centro de operações. A unidade está baseada no cantão de Vaud, na Suíça. "É um marco importante para a Merck, dado que a entrada em biossimilares é uma estratégia global", afirmou Vera Valente, diretora de Biossimilares para a América Latina.

A Bionovis é uma joint venture entre Aché, EMS, Hypermarcas e União Química. Ela foi criada em 2012 com o apoio do governo federal para a produção de biossimilares no Brasil. Desde sua criação, a ideia é que a empresa opere via PDPs (Produto de Desenvolvimento Produtivo) que, estimuladas pelo governo, envolvem a transferência de tecnologia de produção de medicamentos de empresas estrangeiras e nacionais para laboratórios públicos. Desse modo, o governo federal será o principal comprador dos medicamentos produzidos nacionalmente pelo laboratório, e vê nessa iniciativa a possibilidade de reduzir seu bilionário déficit da balança comercial da saúde.

A companhia planeja a construção de uma fábrica de biológicos no Rio de Janeiro, com investimentos de R$ 240 milhões. Cerca de 60% dos recursos vem de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A empresa está no processo de obtenção de licenças do terreno onde será construída a unidade e espera colocar no mercado o primeiro produto em 2016.

"Está evoluindo o nosso projeto para construir uma unidade biofarmacêutica estado-da-arte, para suprir a demanda brasileira dos produtos incluídos no acordo", disse Odnir Finotti, presidente da Bionovis. O fechamento da operação entre a Bionovis e a Merck está condicionado à liberação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste brasileiro.

 

Fonte: Valor Econômico