Hapvida, do Nordeste, prevê receita de R$ 2 bilhões

Um dos maiores grupos de saúde do país e líder no mercado do Nordeste, a Hapvida está investindo R$ 120 milhões para ampliar sua rede própria de hospitais, clínicas e laboratórios e atingir um faturamento de R$ 2 bilhões neste ano, o que representaria uma expansão de 25% em relação a 2013.

O investimento deste ano é 60% superior ao montante aplicado no ano passado. Para expandir sua carteira de clientes - formada por 1,8 milhão de usuários de convênios médicos e outros 700 mil de plano dental - a Hapvida investe constantemente na rede própria, uma vez que trabalha com modelo verticalizado. Nas regiões Norte e Nordeste, 96% das internações e 76% das consultas são realizadas na rede própria, que conta com 20 hospitais, 70 clínicas, 15 pronto-atendimentos, 49 laboratórios e 55 centros de diagnóstico por imagem.

"Para oferecer um tíquete médio baixo e ainda ter rentabilidade, trabalhamos com um modelo totalmente verticalizado e uma plataforma tecnológica que engloba toda a rede. Além disso, os nossos projetos das unidades próprias são padronizados", disse Candido Pinheiro Junior, vice-presidente da Hapvida. O tíquete médio da operadora é de R$ 82,56. No Sudeste, o valor dos planos de saúde corporativos costuma ser o dobro.

A Hapvida conta também com serviços próprios de arquitetura, propaganda, lavanderia, call center e tecnologia. A empresa de tecnologia da Hapvida implementou um sistema de biometria entre todos os usuários dos planos de saúde e dental. Com isso, o grupo conseguiu acabar com um tipo de fraude muito comum, pela qual os clientes emprestavam a carteirinha do plano para aqueles que não possuíam convênio médico.

Fundado em Fortaleza, a Hapvida também está expandindo sua presença para outras regiões do país. Atualmente, 13% da carteira de clientes já vem do Sudeste, em especial de São Paulo e do Rio de Janeiro. "Temos clientes com atuação nacional. Um exemplo é a Força Aérea Brasileira", disse o executivo. No Sudeste, ele informou, não há uma rede própria de atendimento.

Com uma rede própria formada por 209 unidades médicas que atendem exclusivamente à operadora e mensalidades com valores reduzidos, a Hapvida praticamente blindou a entrada de outras operadoras no Norte e Nordeste. Grandes grupos como Amil e Intermédica desistiram de atuar nessas praças porque eram operações deficitárias.

Além do tíquete médio baixo, as operadoras sofreram com o problema da judicialização. Na Bahia, por exemplo, é muito comum os usuários entrarem com pedidos de liminares judiciais para que o convênio médico pague por procedimentos médicos não contemplados no contrato. Em boa parte dos casos, o Judiciário dá parecer favorável aos solicitantes das liminares.

Apesar de a Bahia ser uma praça com demanda porque poucos grupos investem na região, a própria Hapvida entrou no Estado há apenas três anos. Antes, fez um investimento de R$ 100 milhões em aquisições e na construção de unidades próprias. "Montamos uma ampla estrutura na Bahia para evitar problemas. Estamos crescendo e já temos importantes clientes como a Prefeitura de Salvador, com 40 mil vidas", disse Pinheiro Junior.

 

Fonte: Valor Econômico