Mercado brasileiro reduz o ritmo, mas estará entre os maiores do mundo

28/08/2014 - A indústria farmacêutica no Brasil começa a identificar barreiras que podem reduzir o ritmo de crescimento dos últimos anos. De 2009 a 2013, as vendas de medicamentos no varejo saltaram de R$ 24,9 bilhões para R$ 37,8 bilhões, segundo dados da IMS Health. Mas, a exemplo do que ocorre com outros ramos da atividade econômica, o setor se depara com fatores críticos que levam a uma perda de sustentabilidade dessa expansão.

Um deles diz respeito às limitações orçamentárias nas três esferas do governo, que responde por 20% a 22% das compras de medicamentos no país, ressalta Antonio Britto, presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). "A dificuldade geral de financiamento da saúde estabelece um limite à destinação de recursos públicos para compra de medicamentos", observa.

Outros pontos críticos são a elevada carga tributária, que representa de 32% a 34% do preço praticado no mercado, e a mudança do perfil de doenças, cada vez mais crônicas e com grau de complexidade maior - o que provoca um desembolso maior para medicamentos. Para Eliane Kihara, da consultoria PwC, as empresas do setor terão o desafio de manter-se rentáveis em um cenário que combina forte concorrência, avanço dos genéricos e controle de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Mesmo com as dificuldades que este quadro apresenta, o consenso é de que o mercado brasileiro continua atraente para os grandes laboratórios multinacionais. O setor ganhou relevância mundial, passando da décima posição em 2003 para a sexta colocação em 2011. A estimativa é de que, em 2016, o país esteja entre os quatro maiores mercados do mundo.

O setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos deve crescer 11,8% em 2014 e atingir um faturamento, sem impostos, de RS 42,6 bilhões. Dos R$ 14 bilhões de investimentos previstos para este ano, as empresas destinarão R$ 1,6 bilhão para pesquisa e desenvolvimento e RS 9 bilhões para sustentação de marca.

 

Fonte: Valor 1000 (Jornal Valor Econômico)