Rastreabilidade, logística reversa e intercambialidade foram pauta de novo seminário

A situação atual e os avanços da rastreabilidade, logística reversa e intercambialidade de medicamentos foram os assuntos discutidos no encontro, realizado na última sexta-feira (5/9), entre os Associados e o diretor da Anvisa Ivo Bucaresky convidado pelo Sinfar. A abertura foi feita pelo presidente do sindicato, Carlos Fernando Gross, que deu as boas-vindas aos presentes. Já o presidente-executivo do sindicato, Celso Braga, enfatizou a importância da apresentação e da presença do Ivo Bucaresky sentado à mesa ao seu lado. “Todos os pontos que serão abordados são de grande interesse da indústria farmacêutica, como um todo. Vemos esse encontro como uma excelente oportunidade para os Associados colocarem suas questões e também esclarecerem suas dúvidas sobre os temas”, afirmou.

 

1-5-5-2014O presidente do Sinfar, Carlos Fernando Gross, dá as boas vindas aos Associados


O diretor da Anvisa iniciou sua apresentação com uma breve introdução sobre o atual momento da agência regulatória brasileira, que, com 15 anos de existência, foi recém-reestruturada e já é uma referência no mundo. “Hoje, participamos de todos os grandes fóruns de discussões com as principais agências reguladoras mundiais. Somos respeitados internacionalmente”, destacou Bucaresky, frisando que a Anvisa é uma agência complexa e vem buscando ampliar seu quadro para garantir mais eficiência a suas atividades. Um dos desafios citados por ele está o de ampliar o número de países que aceitem o registro da agência brasileira como base para seus registros. “Isso será um ganho para a indústria farmacêutica nacional na ampliação de mercado”.

 

Olhando à frente, Bucaresky colocou o aperfeiçoamento da área de pós-mercado como um dos maiores desafios a serem trabalhados pela Agência. “Estamos montando a Agenda Regulatória 2015-2016. A fase atual é mais de consolidar, rever a regulação existente do que de criar novas normas. Temos uma regulação madura na área de pré-mercado. A grande agenda regulatória aponta para o fortalecimento do pós-mercado, que ainda precisa ser aperfeiçoado”, disse ele.

 

9q-5-5-2014O auditório ficou lotado, com representantes de mais de 20 empresas associadas

Ao entrar nos temas da palestra, Bucaresky começou pela logística reversa, que já é obrigatória em muitos setores da economia. Porém, as peculiaridades do segmento farmacêutico ainda geram certo impasse entre os atores da cadeia produtiva. Como a logística reversa do setor não gera valor econômico – já que os medicamentos devem ser descartados – ainda há certa dificuldade em definir a alocação de custos durante o processo. “Todos os elos da cadeia produtiva são responsáveis pelo processo, da indústria ao consumidor, e queremos que vocês cheguem a um acordo setorial. Caso contrário o governo terá que arbitrar e tomar uma decisão”, colocou o diretor. Celso Braga mostrou-se preocupado com a falta de um acordo até o momento. “Todos julgam que já fizeram sua parte e na realidade ainda não se conseguiu um modelo de consenso no setor”, afirmou.

 

Quanto à rastreabilidade de medicamentos, Bucaresky quis deixar claro que trata-se de uma legislação do Congresso Nacional, não da Anvisa, e que a lei já deveria estar implementada, pois já é uma tendência mundial. “Vocês têm dois anos para montar os equipamentos e ter três lotes-piloto para teste. Em três anos, toda a linha de produção deve ser rastreável. Não esperem para fazer isso no último ano, pois não vamos prorrogar prazo. Iremos cobrar de todos. Comecem a discutir a questão, se programem, e atingirão o objetivo. Para ele, haverá um impacto econômico inicial, mas recuperável a longo prazo com ganhos em logística, diminuição de roubo de cargas e falsificação. E deixou claro. “A norma diz que a responsabilidade da rastreabilidade é do detentor do registro”.

 

Quanto à intercambialidade, o diretor da Anvisa colocou dois pontos que considera importantes neste momento: como informar a questão da intercambialidade e a política de preços, de responsabilidade da CMED. “Na prática sabemos que a intercambialidade já existe no balcão da farmácia. Já podemos começar a discutir o desafio de cobrar efetivamente a receita médica, uma vez que os brasileiros estão tendo mais acesso a consultas médicas graças ao Programa Mais Médicos”, afirmou. Em seguida, os Associados puderam fazer suas perguntas e colocar suas preocupações.

 

No encerramento, Celso resumiu as ideias do encontro e confirmou a data do próximo evento organizado pelo Sinfar: no dia 23 de setembro haverá o lançamento do Programa de Monitoramento de Medicamentos, na sede do sindicato.