Cresce receita dos genéricos entre as líderes

genericos-100x100-2015A forte presença dos genéricos no mercado brasileiro está refletida no peso que esses medicamentos alcançaram no faturamento das dez maiores farmacêuticas do país. Nos últimos 12 meses até janeiro, a categoria representou 25,34% das receitas desse grupo de empresas, que juntas somaram US$ 22,14 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), produzido a partir de dados do IMS Health e obtido com exclusividade pelo Valor.

Em outros números, os dez maiores laboratórios presentes no país faturaram US$ 6,2 bilhões em um ano até janeiro com a venda de genéricos, o equivalente a crescimento de 9,09% frente a igual período anterior. Essa receita conjunta corresponde a 89,8% das vendas de genéricos no país e comprova que a categoria caiu nas graças dos grandes grupos, nacionais e multinacionais, a partir de 1999, apesar do elevado número de laboratórios com registros desses medicamentos - 130, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Entre os dez maiores laboratórios do país, aponta a PróGenéricos, apenas um, a Bayer, não possui uma linha de genéricos. O maior grupo da indústria, a EMS, com faturamento de US$ 5,5 bilhões entre fevereiro do ano passado e janeiro deste ano, é também o maior vendedor de genéricos, com receitas de US$ 2,084 bilhões - ou quase 38% do total. A Hypermarcas, segunda maior farmacêutica no ranking geral, com US$ 3,536 bilhões faturados no mesmo intervalo, teve receitas de US$ 830,8 milhões com genéricos.

 

"O fato é que as empresas que estão entre as maiores têm genéricos", diz a presidente-executiva da PróGenéricos, Telma Salles. "É um mercado que vem crescendo, é altamente competitivo e impulsiona o faturamento [das farmacêuticas]". Terceira maior no ranking geral do setor, com US$ 3,407 bilhões, a Sanofi foi a segunda em termos de faturamento com genéricos (US$ 1,122 bilhão). No Aché, quarto colocado no ranking das dez maiores, os genéricos responderam por 22,45% do faturamento, enquanto que na Teuto o peso foi 37,7%.

 

Em unidades, segundo levantamento realizado pela PróGenéricos, as nove empresas do ranking geral da indústria que atuam no mercado de genéricos produziram 775 milhões de unidades em 12 meses até janeiro, com crescimento de 9,93% frente às 705 milhões de unidades produzidas um ano antes. Esse volume correspondeu a 88,44% do total de medicamentos produzidos no Brasil no período.

 

Apesar do crescimento das vendas, o ritmo esperado pela PróGenéricos para o ano passado, de alta de 15%, não foi atingido e ficou em torno de 11%. "Não crescemos como gostaríamos por causa da situação econômica", explica Telma. Para 2015, a expectativa é de crescimento de 8% a 10%, o que poderia configurar o pior desempenho da história para a indústria - ainda assim, ficaria acima da expansão de vendas do setor farmacêutico em geral. "Neste ano, os genéricos vão alavancar o crescimento da indústria", diz.

 

Segundo a executiva, além das condições macroeconômicas negativas no país que devem afetar a renda e o consumo das famílias, contribui para o desempenho 'tímido' do setor - que historicamente cresce a taxas de dois dígitos - o preço controlado dos medicamentos e a rentabilidade prejudicada da indústria. Para ela o êxito de um laboratório no mercado de genéricos depende principalmente da agilidade em desenvolver um produto antes da concorrência, firmar acordos de mercado e oferecer um portfólio variado.

 

"Nesse mercado se ganha com escala e nem todas as empresas suportam o altíssimo grau de competitividade que impera no setor", diz Telma, acrescentando que nos próximos cinco anos os medicamentos genéricos devem ocupar entre 35% e 40% do varejo farmacêutico. Ao longo do ano passado, a indústria lançou 23 genéricos. Em 2015 até a primeira semana de março, foram 12 lançamentos. "O ritmo está acelerado e pode indicar um bom ano", comenta a executiva.

 

Fonte: Valor Econômico