Novartis quer crescer em oncologia

novartis-100x10019/05/2015 - Ao incorporar a área de oncologia da GlaxoSmithKline (GSK), em operação concluída em março, a Novartis consolidou­-se como uma das maiores, se não a número um, no mercado global de medicamentos para tratamento de câncer. Na esteira da transação de US$ 16 bilhões, a gigante suíça passou a contar com 22 produtos aprovados, que tratam mais de 25 indicações, reunidos no que é apresentado como o maior portfólio de drogas onco­hematológicas do mundo. E o Brasil, segundo a Novartis, vai se beneficiar da integração.

 

A farmacêutica suíça pretende ampliar o peso da área de oncologia nos negócios da subsidiária brasileira, especialmente no segmento público, e vê importante potencial de expansão. Por aqui, os medicamentos para tratamento de câncer correspondem a 6,5% do mercado farmacêutico ­ ou algo como US$ 1,3 bilhão, segundo dados do IMS Health. Em outros países, essa participação chega a 12%.

 

"Falta acesso a novas tecnologias no segmento público", disse ao Valor Alexandre Gibim, que assumiu em fevereiro o comando da Novartis Oncologia no Brasil. Para o executivo, que está no grupo desde 2011 e respondia pela gerência geral de Vacinas & Diagnósticos, um dos grandes desafios é justamente estreitar as relações comerciais com o setor público e ampliar o espectro de tratamentos oferecidos à população. "Queremos participar do processo de transferência de tecnologia", afirmou.

 

Nessa linha, a farmacêutica já tem acordos de Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, um deles justamente na área oncológica. "Temos um produto para câncer de mama que adia em um ano o tratamento com quimioterapia, o que traz ganhos significativos à paciente", contou. Somente no ano passado, essa divisão da Novartis investiu R$ 27 milhões em pesquisa clínica no Brasil.

 

Em dez anos, a área oncológica, que hoje representa 18% dos negócios da Novartis no país, deverá alcançar participação de 25% no faturamento total.

 

Globalmente, a Novartis Oncologia representa cerca de 20% das vendas líquidas anuais da companhia, de US$ 58 bilhões em 2014. "Todas as áreas vão crescer. Mas vemos velocidade importante de expansão em oncologia, com maior presença no mercado brasileiro", afirmou.


Um dos responsáveis por traçar a estratégia e operacionalizar a operação com a GSK ­­ que envolveu ainda a venda da divisão de vacinas para a GSK e a constituição de uma joint venture em medicamentos isentos de prescrição (OTC) ­, o presidente mundial da Novartis Oncologia, Bruno Strigini, acredita que a um dos efeitos do negócio será levar tratamentos a um maior número de pacientes.

 

"Temos o privilégio de estar vivendo o que eu acredito ser o momento mais emocionante da história da pesquisa e do tratamento do câncer", disse Strigini ao Valor, em entrevista por e­mail. "Houve avanços notáveis, que nos proporcionaram novas indicações sobre o câncer e suas causas, transformando a abordagem à doença e lançando as bases para novas terapias, que podem ajudar os pacientes a viver mais e melhor", acrescentou.

 

A Novartis, que há 15 anos se dedica a estudar o câncer, já destinou mais de US$ 9,9 bilhões a pesquisas na área e tem mais de 10 mil pesquisadores associados em 85 países. Conforme o executivo, a prioridade é a chamada "oncologia de precisão", que pretende entender a constituição genética dos tumores e permitir o desenvolvimento de compostos que provoquem mutações genéticas no tumor. "É uma maneira de individualizar o tratamento para atingir resultados mais precisos", disse.

 

Fonte: Folha de S.Paulo