Prótese de silicone sustenta demanda nas clínicas de cirurgias plásticas

siliconeO implante de silicone é um dos procedimentos mais procurados na cirurgia plástica, tanto que mesmo no cenário de instabilidade econômica, ele mantém o aquecimento do setor. Em 2013, o Brasil foi o país que mais realizou intervenções cirúrgicas estéticas. "O movimento continua normal em termos de prótese de silicone. Podemos dizer que elas estão segurando o mercado", afirma o diretor da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), Carlos Oscar Uebel.

 

De acordo com o especialista, apesar de não ser um artigo de primeira necessidade, a demanda do silicone não caiu no primeiro semestre deste ano. "Isso mostra que os preços são acessíveis", explicou. Ainda segundo o executivo, a utilização das próteses nacionais são comuns e isso faz com que a alta da dólar não influencie nos preços. "Existem três empresas muito grandes no mercado, que oferecem produtos de ponta e alta qualidade. Este ano, algumas até reduziram o custo", como analisou o executivo.

 

A perspectiva para o segundo semestre é que o segmento se mantenha, acredita Uebel. "Mas não podemos ignorar o cenário econômico, que pode trazer consequências negativas para o setor daqui a três meses."

 

Já o cirurgião plástico Fernando de Almeida Prado está otimista. "No primeiro semestre houve uma manutenção da procura com relação ao ano passado. Mas estamos observamos uma alta iniciada em junho".

 

O médico acredita que a demanda prevista para julho deve aumentar 20%, ante ao mesmo período de 2014. "Os procedimentos cirúrgicos mais procurados são lipoaspiração e a próteses de silicone", ressalta o executivo. "Não posso negar. A crise tem afetado todos os mercados, mas ainda temos perspectiva de que a procura cresça entre 10% e 20% este ano no país".

 

Outro fator que tem aquecido o segmento é o da utilização das próteses de silicone em tratamentos médicos. "A cirurgia estética nasceu da reparadora e quando as pessoas perceberem isso o mercado crescerá ainda mais. Um exemplo de utilização é em casos de déficit de desenvolvimento da panturrilha", citou.

 

Aquecimento

No caso da clínica particular do cirurgião plástico Claudio Valle, localizada em São Paulo, a alta da demanda no primeiro semestre foi de 10% e a expectativa para os próximos seis meses é ainda mais positiva. "Era de se esperar uma queda, pois a cirurgia lida com uma parte estética e não necessidade absoluta. Mas as pessoas se preocupam de maneira significativa com a estética. Em alguns casos é prioridade".

 

O executivo também afirma que o crescimento deve ocorrer não apenas entre o público feminino, mas também masculino. "As mulheres procuram mais, mas os homens também estão crescendo entre os clientes", explica o executivo. A perspectiva de crescimento da demanda na clínica é de 10%, segundo Valle.

 

Produto

Outro exemplo de aquecimento do mercado é o da fabricante de próteses de silicone Silimed. "Tivemos alta de 15% de produtos vendidos no Brasil, no primeiro semestre", afirma o CEO da empresa, Gabriel Robert. Segundo ele, a demanda do setor de beleza e saúde tem sido menos impactada pelo cenário do país.

 

Entre clientes nacionais e internacionais, a Silimed espera crescimento de 30% nas vendas. "No segmento externo, os países com maior demanda são Estados Unidos, Coreia, Austrália, México e Colômbia".

 

Segundo o executivo, a empresa não conseguiu se beneficiar com a alta do dólar. "Mesmo os produtos importados sofrerem com este fator, aqui temos a inflação e os juros que também estão aumentando", afirma o executivo explicando que não houve migração de clientes pelo preço, mas pela qualidade. "Em 2014, a procura foi tão grande que consumimos parte do estoque. Para repor a reserva e atender a demanda aumentamos 50% da produção", revela.

 

Além dos famosos implantes para cirurgia plástica, a empresa fabrica próteses para contorno corporal, implante facial, além de uma linha para a urologia e a obesidade. "Estamos investindo em tecnologia e automação para atender o mercado." Conforme balanço da empresa em 2014, o estado que mais procurou implantes de mama e glúteo foi São Paulo, com 25% do mercado interno, seguido por Rio de Janeiro (20%) e Distrito Federal (11%).

 

Fonte: DCI