Alemã Merck unifica marcas e cria nova identidade mundial

merck-1Um dia após anunciar um novo executivo-chefe a partir de abril, a gigante alemã Merck lançou uma nova identidade visual que consolida sua estratégia como empresa global e unifica as marcas Serono e Millipore. A decisão está alinhada ao programa de crescimento "Fit for 2018", que prevê foco em inovação e em negócios orientados à tecnologia, além da modernização e expansão da sede, em Darmstadt, que amanheceu ontem já com a nova cara do grupo.

 

O processo de renovação da marca em todas as operações, ativos e embalagens de produtos, porém, deve se estender até 2018, quando a companhia completa 350 anos. "Essa é uma parte do processo de transformação iniciado há alguns anos, quando a Merck ainda era uma empresa muito voltada ao mercado europeu", disse ao Valor o presidente da Merck no Brasil, Guilherme Maradei.

 

O realinhamento dos negócios da farmacêutica teve início há cerca de dez anos e foi pautado principalmente por grandes aquisições, entre as quais a da Serono e Millipore. Em breve, essas duas marcas serão extintas e os negócios que representam, de biofarmacêutica e ciências da vida, seguirão como divisões do grupo Merck - que tem ainda um terceiro negócio, de materiais de performance.

 

Como resultado dessa estratégia, a Merck dobrou o faturamento, para mais de € 10 bilhões, e se posicionou entre os grandes laboratórios mundiais. "O objetivo é passar uma ideia mais dinâmica do grupo, que hoje é global, com escritórios em 66 países, e voltado à ciência e tecnologia", disse Maradei. A logomarca atual foi lançada em 2001.

 

Ao mesmo tempo em que apresentou o novo visual, a Merck inaugurou o centro de inovação de Darmstadt e anunciou investimentos de € 1 bilhão até 2020 na sede. Em comunicado, o executivo-chefe do grupo, Karl-Ludwig Kley, destacou que a iniciativa dá origem a "um berço de novas tecnologias que serão capazes de transformar o mundo no longo prazo". Kley está à frente da farmacêutica desde 2007 e vai se aposentar. Ele será substituído por Stefan Oschmann, hoje co-executivo-chefe, em abril do ano que vem.

 

Conforme Maradei, no Brasil as mudanças também foram colocadas em curso. Recém-chegado ao comando da subsidiária, o executivo conta que uma de suas metas é reiterar o comprometimento do grupo com o país no longo prazo. "Reconhecemos que o momento não é bom [diante da crise econômica], mas isso não muda nosso compromisso com o Brasil", afirmou.

 

Em 2015, as vendas da Merck no Brasil devem crescer em ritmo menor do que o registrado em anos anteriores, mas acima do mercado em geral. Para 2016, a expectativa é a de retorno às taxas de expansão de dois dígitos. Segundo Maradei, diversos fatores levaram o crescimento a um dígito neste ano, sobretudo o cancelamento ou a postergação de compras pelo governo e maior desconto praticado pelas fabricantes de genéricos.

 

Em 2015, o mercado farmacêutico deve crescer entre 10% e 12%, depois de alguns anos de alta de mais de 15%, de acordo com a consultoria IMS Health. Esses índices, porém, são calculados sobre o preço de referência dos medicamentos e não consideram descontos concedidos, o que resulta em taxa real de crescimento inferior.

 

 

Fonte: Valor Econômico