Aspen Pharma negocia compra de ativos no Brasil

aspen-pharmaA subsidiária brasileira da sul-africana Aspen Pharmacare poderá acelerar o ritmo de expansão dos negócios a partir da compra de produtos ou de empresas no país. Neste momento, duas negociações estão em andamento, e podem fazer a Aspen crescer mais de 50% em faturamento.

 

O laboratório, que faturou globalmente cerca de US$ 2,5 bilhões no último exercício, caminha para encerrar o ano fiscal em curso, em 30 de junho, com alta de mais de 20% nas vendas no Brasil, acima do crescimento médio do mercado. Para as receitas, a estimativa é de R$ 220 milhões.

 

"Ainda dependemos de acertos, mas estamos investindo no país", diz o principal executivo da farmacêutica no Brasil, Alexandre França. "O mercado está bom para as multinacionais". Se as conversas avançarem, a expectativa é a de que uma potencial aquisição seja anunciada no quarto trimestre.

 

Nos últimos anos, a compra de portfólio de outros laboratórios deu contribuição importante para o crescimento das vendas da farmacêutica no país. Em 2008, entrou no mercado brasileiro com a compra da Cellofarm, de produtos similares. Já no ano seguinte, levou 17 fitoterápicos da Ativus e, mais à frente, comprou quatro produtos do laboratório Hebron.

 

Em 2013, a Aspen, que é a maior fabricante de genéricos da África, comprou onze produtos da Merck Sharp & Dohme (MSD), incluindo terapias de reposição hormonal e contraceptivos orais, com reflexos no país, e no fim de 2014, fechou a aquisição da linha Omcilon, para tratamento de afta e estomatite e alívio de inflamações, que pertencia à Bristol-Myers Squibb.

 

Conforme França, os negócios no ano fiscal que está terminando foram impulsionados justamente por essas duas aquisições, pela chegada do fitoterápico Calman ao mercado de medicamentos isentos de prescrição e pela renovação do visual do Leite de Magnésia Phillips.

 

Apesar de ter os genéricos em sua origem, a Aspen passou a apostar na compra de marcas maduras, já consolidadas, que não mais interessam aos grandes laboratórios - em muitos casos porque perderam a patente. Essa linha de negócio tem sido replicada no país. Caso feche uma das aquisições que estão na mesa de negociação neste momento, a Aspen, porém, não terá capacidade instalada suficiente no Brasil - na unidade de Serra (ES), está apta a produzir sólidos (comprimidos) e semi-sólidos (cremes). "O crescimento não está atrelado à fábrica, então a estratégia será produzir em terceiros", afirma França.

 

Fonte: Valor Econômico