Laboratórios caminham para nova rodada de consolidação

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A indústria farmacêutica instalada no Brasil é palco, neste momento, de negociações que podem dar origem a uma nova rodada de consolidação, com maior concentração no segmento de genéricos. Notícias sobre potenciais operações, que podem chegar à casa do bilhão, circularam entre executivos de laboratórios na última semana e envolveram grandes nomes do mercado, entre os quais Medley, Teuto e TheraSkin, todas na ponta vendedora.

 

Dois dos maiores fabricantes de genéricos, a Medley, da francesa Sanofi, e o Teuto, que tem a americana Pfizer e a família fundadora como acionistas, estão entre as empresas que poderão trocar de mãos. A Medley teria entrado na mira do grupo nacional Cimed, apurou o Valor. Já os acionistas do Teuto teriam contratado bancos para buscar interessados em comprar o ativo, segundo nota da revista "Exame". Essa não é a primeira vez que circulam notícias sobre uma possível venda do laboratório.


Em outro segmento da indústria, o Valor apurou que a TheraSkin, empresa familiar que é líder em prescrição de medicamentos e dermocosméticos por dermatologistas no país, contratou o Credit Suisse para assessorá-la na busca de potenciais compradores. No passado, já houve comentários na indústria sobre uma possível venda da farmacêutica, o que é tratado como especulação pela direção da empresa.


Terceira maior fabricante de genéricos do país, a Medley foi comprada pela Sanofi em 2009, por R$ 1,5 bilhão, e estaria sendo cortejada tanto pela Cimed quanto por outra grande farmacêutica nacional. Procurada, a Sanofi negou​. "Em relação a especulações de mercado, o grupo Sanofi não confirma que a Medley esteja à venda", informou, em nota. A farmacêutica francesa afirmou ainda que a empresa "ocupa papel fundamental nos planos de negócios" no país.


A Cimed, por sua vez, publicou em seu site uma nota de esclarecimento, informando que "não existe, no momento, negociação oficial" com a Sanofi. "O grupo Cimed, empresa em franco crescimento e no momento estudando possíveis aquisições, reitera sua admiração pela Medley S/A e esclarece que não existe, no momento, negociação oficial entre as partes", informa a nota.


Já o Teuto, que está atrás da Medley no ranking nacional de fabricantes de genéricos, teria sido colocado à venda por seus acionistas. Segundo a revista "Exame", o Goldman Sachs teria sido contratado para coordenar o processo de venda do lado da Pfizer, que tem 40% de participação no laboratório, e o BTG Pactual teria ficado responsável pela assessoria à família Melo, que detém os outros 60%.


No fim de 2010, a farmacêutica americana pagou R$ 400 milhões por 40% do laboratório brasileiro. Por contrato, a Pfizer tem até o ano que vem para fazer uma oferta pelos 60% que ainda não detém no Teuto, por um valor final que depende do desempenho do laboratório. O múltiplo da aquisição foi estabelecido em 14,4 vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), considerado elevado mesmo para os padrões da indústria farmacêutica.


Fontes da indústria afirmam que a chegada da Pfizer ao laboratório de genéricos resultou em melhoria de qualidade e fortalecimento dos negócios. Os sócios, porém, não teriam chegado a pleno acordo sobre a estratégia para a operação e os descontos cada vez mais elevados concedidos pelo Teuto acabaram corroendo as margens.

 

No ano passado, enquanto a receita líquida do laboratório avançou 8,6%, a R$ 543,5 milhões, o custo dos produtos vendidos saltou 28,6%, para R$ 393,2 milhões. Esse desempenho, associado a despesas financeiras mais altas, resultou em prejuízo líquido de R$ 26,3 milhões, frente a lucro de R$ 28,8 milhões um ano antes, conforme balanço publicado em 11 de maio. Procurados, Pfizer e Teuto informaram que não comentam especulações.


Já no caso da TheraSkin, segundo fontes da indústria, a empresa da família Scaravelli já esteve à venda no passado e o negócio não foi fechado porque não houve consenso quanto ao preço. Dona de produtos que estão entre os mais indicados na área de dermatologia, como Verrux (para o tratamento de verrugas) e Theracne (linha de produtos de tratamento de acne), a empresa teria sido avaliada em mais de R$ 500 milhões, de acordo com uma fonte.


Em resposta a questionamento do Valor, o diretor de Marketing e Vendas, Celso Coelho, disse ainda que "a Theraskin é uma marca brasileira líder no mercado de dermatologia em que atua e está em constante crescimento". "É uma empresa familiar com mais de 60 anos e que distribui seus produtos nas principais redes de farmácia de todo o Brasil. Nós não abrimos dados de faturamento/investimento e informamos que este assunto é uma especulação sem confirmação oficial", disse.


De acordo com uma fonte da indústria, os ativos farmacêuticos no país ainda não estão baratos, porque o mercado segue com bom ritmo de crescimento em plena crise econômica. Mas já não estão tão caros quanto há cinco ou seis anos, quando houve uma rodada importante de compra e venda no setor.


No mercado de genéricos, especificamente, uma nova rodada de concentração já era esperada, uma vez que o segmento tornou-se altamente concorrido, segundo outra fonte. A prática de concessão de descontos elevados e o aumento de custos de produção - pressionados pelo real desvalorizado, que eleva os gastos com insumos importados, e dispêndio maior com mão de obra e energia - comprimiram a margem dessas empresas e tornaram a escala ainda mais relevante nessa área de negócio.​

 

Fonte: Valor Econômico