Presidente executivo da Interfarma visita Sinfar

Antônio Britto, presidente executivo da Interfarma - Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa -, esteve no dia 19 de maio na sede do Sinfar. Na visita, ele fez uma apresentação sobre os Desafios e Potenciais do Setor Farmacêutico no Brasil e debateu com os associados do Sindicato a situação atual do segmento no país.

 

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Britto, Carlos Fernando Gross e Celso Braga no auditório do Sinfar

 

Antônio Britto é jornalista, político e executivo brasileiro. Ele já exerceu os cargos de deputado federal, ministro da Previdência Social e governador do Estado do Rio Grande do Sul e, desde maio de 2009, é presidente executivo da Interfarma. Britto atua no mercado corporativo há mais de dez anos, onde foi membro do conselho administrativo da Claro, CEO da Azaléia e membro do conselho da Braskem.

 

Veja a entrevista, na íntegra, concedida por ele ao site do Sinfar.

 

Sinfar - O senhor começou a carreira como jornalista, foi deputado, ministro e governador. Hoje é o presidente executivo da Interfarma. Como ocorreu a transição da política para o segmento farmacêutico?
Antônio Britto - Eu já exercia funções na iniciativa privada e a Interfarma se mostrou um desafio profissional muito interessante. Por isso, aceitei o convite.

 

Sinfar - A Interfarma é uma associação que reúne as mais importantes empresas farmacêuticas de pesquisa. Como o senhor avalia o futuro desse segmento no país?
A.B - Primeiro é importante lembrar que temos associados de todos os portes. O que fazemos é identificar os pontos comuns e nos concentrarmos neles. Na indústria farmacêutica, há muitos temas comuns, como segurança jurídica, racionalidade tarifária e apoio à inovação, por exemplo. Dobramos o número de associados em três anos. As empresas compreenderam que, unidas, podem muito mais. A Interfarma se esforça para atender às suas expectativas.

 

Sinfar - A Interfarma está apoiando uma campanha pela redução dos impostos dos medicamentos. O senhor acredita que seja possível sensibilizar o Poder Legislativo? O que isso representaria para o mercado farmacêutico nacional?
A.B. - Pela primeira vez, o Congresso está sensibilizado em relação ao tema, com uma manifestação positiva da presidência da Câmara e, com ela, a possibilidade de finalmente discutir o assunto. Nos últimos dois anos, o esforço coletivo de várias entidades, como a Abrafarma, além da própria Interfarma, pôs a questão em destaque.

 

No Brasil – país com os maiores impostos sobre medicamentos – o governo paga tributos para si próprio, o que obviamente torna o processo muito caro e impede que os medicamentos cheguem a mais pessoas. Caso consigamos reduzir os impostos, os preços ficariam até 30% menores. Em vez de beneficiar 16 milhões de pessoas, por exemplo, o programa Farmácia Popular poderia alcançar 18 milhões de beneficiados. A grande vantagem é, sem dúvida, para o cidadão.

 

Sinfar - O Ministério da Saúde vem apostando muito na política de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) para alavancar a inovação no Complexo Industrial da Saúde. Na sua opinião, essa é a solução? O que pode ser aprimorado no processo das PDPs?
A.B. - Em todo o mundo, a inovação vem das universidades, com o apoio dos governos e com a aplicação prática feita por empresas. No Brasil, universidades e empresas não dialogam com frequência, fazendo com que o país desperdice inovação. Apesar de ser o quinto mercado consumidor de medicamentos, é apenas o 38º em inovação.

 

Sinfar - Quais são os principais projetos e/ou ações que estão na agenda da Interfarma para este ano?
A.B. - O desafio da Interfarma se baseia em três pilares básicos: o primeiro deles é a ética. O mercado brasileiro avançou muito, mas é necessário um esforço diário para assegurar a qualidade do que é produzido; a consciência do médico ao prescrever; o cuidado da farmácia no manuseio, entre outros. A inovação é outro ponto fundamental, já que permite avanços na qualidade de vida da população. O terceiro pilar é o acesso. Junto com governos e indústria, queremos que os medicamentos cheguem ainda a mais pessoas.

 

Sinfar - Como o senhor avalia o papel dos sindicatos – como Sinfar - e qual seria a sua contribuição para a melhoria do segmento farmacêutico nacional?
A.B. - Vemos com muita alegria o esforço de retomada do Sinfar. O Rio de Janeiro tem um importante papel na história da indústria farmacêutica, o que não permite que sua voz deixe de ser ouvida. Para prosperar, a indústria tem que se unir e o Sinfar acrescentou uma liderança respeitada, que vai garantir uma oportunidade para que as empresas locais possam participar das principais decisões que envolvem o setor.

 

Acesse aqui a apresentação Desafios e Potenciais do Setor Farmacêutico no Brasil, feita por Antônio Britto na sua visita ao Sinfar-RJ.

 

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Leia a matéria veiculada na Folha de S. Paulo, em 19/5/2014, Burocracia deixa farmacêuticas para trás na corrida da inovação, feita a partir de um levantamento da Interfarma sobre estudos clínicos.